O domínio de uma mente perturbada
Acordou pela manhã, olhou que horas eram em seu iPhone, levantou, foi ao banheiro, terminou sua higiene matinal e voltou para o quarto. Olhou atentamente a cômoda com seus produtos de beleza, sua escrivaninha um tanto bagunçada, a roupa por passar em cima da cadeira, seus livros na estante. Era um quarto perfeito para ela que nunca havia tido um quarto antes. Ela estava no auge dos bens materiais, tinha tudo o que ela sempre quis e o que não tinha era porque havia considerado fútil demais para se ter. No entanto, com tantas coisas em seu quarto, sentia-se sozinha, incompleta e inútil.
- Como pode alguém que tem "tudo" o que uma pessoa julga necessário, conforto, teto, aconchego... como pode sentir-se solitária?
Era o que eu mesma me perguntava ao escrever essas palavras. Pensei "então escrevo um livro e coloco minha vida dentro de um personagem, faço um final feliz para que eu possa me reconfortar nesse sonho", mas é muito difícil pensar que eu vou ficar confortável com um final feliz fictício.
- Você continua ouvindo as vozes?
- Não muito, as vezes escuto, mas não acredito mais que sejam vozes, acho que é só meu inconsciente tentando fazer com que eu alivie a tensão no meu sangue.
- Você ainda pratica automutilação?
- As vezes... Na verdade eu não sei mais o que estou fazendo, eu não sei mais se quero por fim nessa minha vida inútil ou se só quero concentrar toda a dor que sinto em minha mente num corte no braço.
- Você tem ido ao grupo de apoio?
- Faz duas semanas que não piso lá... Não sei como consegui chegar aqui, na verdade eu vim porque seria um jeito de escapar do trabalho, tem dias que não quero ir pro trabalho também, mas como eu preciso trabalhar ou passo fome, vou contra a minha vontade, mas vou.
- Você já sabe o que vou te dizer, tem que ir ao grupo para que possa socializar com as outras pessoas e não se sentir tão solitária como você se queixa sempre que vem aqui.
- As pessoas não me entendem lá. Ninguém está realmente interessado no que eu tenho aqui dentro!
- Você precisa ir ou isso tudo que está ai dentro irá se agravar e você vai ter que tomar remédios ou ser internada em uma clinica de reabilitação. Você quer isso?
- Claro, seria um sonho pra mim! Eu já sou mentalmente fodida o suficiente então por que não me internar?
- Mandie, ninguém quer te internar para se ver livre de você, pensei que já tivesse superado isso!
- Não superei!
Levantei do divã e sai sem me despedir. As vezes o Sr. Blanch é sem noção! Acho que ele já cansou de tentar me tratar, todos cansam, todos sempre cansam. Eles me indicam um novo psicologo e dizem que não podem mais fazer nada por mim, mas a verdade é que eles me acham muito difícil de ser convencida, acham que eu não sou verdadeiramente fodida e pensam que meus traumas podem ser superados. Eles acham que eu faço drama, no fundo é isso que todos eles pensam, e acabam desistindo de me tratar porque não querem ficar loucos tentando fazer um cego enxergar.
- Como pode alguém que tem "tudo" o que uma pessoa julga necessário, conforto, teto, aconchego... como pode sentir-se solitária?
Era o que eu mesma me perguntava ao escrever essas palavras. Pensei "então escrevo um livro e coloco minha vida dentro de um personagem, faço um final feliz para que eu possa me reconfortar nesse sonho", mas é muito difícil pensar que eu vou ficar confortável com um final feliz fictício.
- Você continua ouvindo as vozes?
- Não muito, as vezes escuto, mas não acredito mais que sejam vozes, acho que é só meu inconsciente tentando fazer com que eu alivie a tensão no meu sangue.
- Você ainda pratica automutilação?
- As vezes... Na verdade eu não sei mais o que estou fazendo, eu não sei mais se quero por fim nessa minha vida inútil ou se só quero concentrar toda a dor que sinto em minha mente num corte no braço.
- Você tem ido ao grupo de apoio?
- Faz duas semanas que não piso lá... Não sei como consegui chegar aqui, na verdade eu vim porque seria um jeito de escapar do trabalho, tem dias que não quero ir pro trabalho também, mas como eu preciso trabalhar ou passo fome, vou contra a minha vontade, mas vou.
- Você já sabe o que vou te dizer, tem que ir ao grupo para que possa socializar com as outras pessoas e não se sentir tão solitária como você se queixa sempre que vem aqui.
- As pessoas não me entendem lá. Ninguém está realmente interessado no que eu tenho aqui dentro!
- Você precisa ir ou isso tudo que está ai dentro irá se agravar e você vai ter que tomar remédios ou ser internada em uma clinica de reabilitação. Você quer isso?
- Claro, seria um sonho pra mim! Eu já sou mentalmente fodida o suficiente então por que não me internar?
- Mandie, ninguém quer te internar para se ver livre de você, pensei que já tivesse superado isso!
- Não superei!
Levantei do divã e sai sem me despedir. As vezes o Sr. Blanch é sem noção! Acho que ele já cansou de tentar me tratar, todos cansam, todos sempre cansam. Eles me indicam um novo psicologo e dizem que não podem mais fazer nada por mim, mas a verdade é que eles me acham muito difícil de ser convencida, acham que eu não sou verdadeiramente fodida e pensam que meus traumas podem ser superados. Eles acham que eu faço drama, no fundo é isso que todos eles pensam, e acabam desistindo de me tratar porque não querem ficar loucos tentando fazer um cego enxergar.
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